O que precisa para exercer
Qualificação principal
- Engenharia/licenciatura em Telecomunicações ou Eletrónica, ou FP superior da área: Técnico Superior em Sistemas de Telecomunicações e Informáticos (RD 883/2011) ou em Manutenção Eletrónica (orientativo).
- Se assumir funções radioelétricas do rol de chamada: Certificado de Operador Geral (GOC) do GMDSS conforme a Regra IV/2 da STCW e o Regulamento de Radiocomunicações da UIT.
- Para a manutenção GMDSS no mar como opção da companhia: certificado de radioeletrónico de primeira ou segunda classe (STCW Regra IV/2, secções A-IV/2 — orientativo, conforme a bandeira e a opção de manutenção escolhida).
STCW base
- Formação Básica de Segurança STCW (A-VI/1).
- Gestão de Multidões (A-V/2) conforme o rol de chamada (Regra V/2, navios de passageiros).
- Sensibilização em proteção marítima (A-VI/6-1).
Cursos específicos
- Cursos de fabricante de antenas VSAT estabilizadas (p. ex. Intellian ou Cobham SAILOR) em bandas Ku/Ka.
- Operação de serviços satelitais marítimos: Inmarsat (FleetBroadband/Fleet Xpress), Iridium Certus e constelações LEO tipo Starlink Maritime (orientativo, conforme a frota).
- Redes IP: certificação tipo CCNA ou equivalente em routing, VLAN e firewalls (orientativo).
- Sistemas associados de segurança e proteção: LRIT, SSAS e telemedicina por videoconferência (formação de sistema de cada navio).
Experiência orientativa
Orientativo: 2-4 anos em telecomunicações marítimas ou satelitais — a bordo, como field engineer de um integrador ou num teleport/NOC — antes de assumir a responsabilidade do enlace de um navio de passageiros. Valoriza-se experiência demonstrável na resolução de avarias de antena e RF, não só de rede.
Observações
A escuta radioelétrica GMDSS pertence aos oficiais de ponte com GOC; este perfil sustenta a camada técnica. O Capítulo IV da SOLAS exige garantir a disponibilidade do equipamento GMDSS por pelo menos um de três métodos — duplicação de equipamentos, manutenção em terra ou capacidade de manutenção eletrónica no mar — e nos navios de passageiros é habitual combinar vários (orientativo, conforme a bandeira e as zonas A1-A4). Percurso típico: técnico de eletrónica/telecom → técnico SATCOM embarcado → oficial de comunicações → Chief IT Officer (ficha própria neste explorador) ou engenheiro de frota em terra. Em emergência, os seus enlaces sustentam MEDEVAC, telemedicina e coordenação SAR: a redundância bem testada é o melhor seguro.
O que este posto faz
Sem satélite não há transações a bordo, nem telemedicina, nem conectividade do passageiro, nem reporte ao escritório: este perfil mantém a linha vital do navio com o mundo. Combina radiocomunicações marítimas reguladas (GMDSS, SOLAS Capítulo IV) com engenharia de redes e sistemas satelitais em evolução rápida, onde as constelações de órbita baixa convivem com o VSAT clássico e a largura de banda se tornou um serviço que o passageiro espera como em terra.
Quartos típicos
- Monitorização contínua de ligações satelitais e GMDSS
Responsabilidades principais
- Manter antenas satelitais estabilizadas, sistemas VSAT, telemedicina e receção meteorológica.
- Assegurar as transações financeiras e comunicações operacionais do navio via satélite.
- Executar e registar os testes periódicos dos equipamentos GMDSS (MF/HF, Inmarsat-C, balizas EPIRB e respondedores SART) em apoio aos oficiais responsáveis.
- Gerir a largura de banda e a qualidade de serviço (QoS), repartindo o enlace entre passageiros, tripulação e sistemas operacionais do navio.
Âmbito operacional
- Sala de comunicações, antenas do convés superior, sistemas GMDSS
- Rede de dados do navio no seu troço satelital (WAN) e ligações ao escritório de frota
Ficha revista pela HydroAbyss (2026). As normas e prazos citados são orientativos: a exigência final é definida pelo Estado de bandeira, pela Administração e por cada companhia.